CRÍTICA| It: A Coisa (2017): Um filme sobre o medo, mas que não dá!

Por David Zorzin



Procurando por um nome para essa crítica percebi que o novo IT – A Coisa pode ser classificado de diversas formas diferentes. A primeira e mais evidente é que a obra é um péssimo filme de terror, isso porque, o roteiro foge do padrão atual de jump scare tão presentes nos títulos atuais como Invocação do Mal e Annabelle, também não existe aqui um monstro, espírito ou demônio que te cause repulsa ou aflição ao encará-lo, o vilão nada mais é do que um palhaço, Pennywise, com os dentes um pouco mais afiados. 

O parágrafo anterior pode dar uma impressão ruim a obra, mas na verdade a tempos não saia tão empolgado de uma sala de cinema depois de ver um filme de “terror”. IT – A coisa parece muito mais um drama, com pequenos trechos cômicos e um ar de suspense que ronda a história, mas se você é fã dos clássicos, vai amar o filme, assim como eu.

O remake da serie de 1990, baseada no livro de 1986, escrito por Stephen King, conta a história do Clube dos Perdedores, um grupo de crianças que sofre diariamente com um extremo bullyng na escola e problemas sérios em suas casas, algo que faz a união entre eles ser ainda mais forte. 


Tudo começa quando Georgie encontra o palhaço Pennywise em um bueiro e acaba sendo atacado por ele e desaparecendo para sempre. Daí, seu irmão Bill (Jaeden Lieberher) inicia uma busca pelo caçula que ele acredita ainda estar vivo. A aventura fica mais séria quando o recém chegado a cidade Ben (Jeremy Ray Taylor) mostra ao restante das crianças que os desaparecimentos em Derry são mais frequentes que o comum e todos tem uma certa ligação geográfica e temporal. 

Além de Bill (líder da equipe) e Ben (o típico gordinho), o grupo conta com Richie (Finn Wolfhard, o Mike de Stranger Things) que faz piadas com um teor sexual que deixaria qualquer pessoa impressionada, Eddie, Stanley e Mike. Beverly é a única menina a se unir a eles, a garota interpretada por Sophia Lillis sofre com um pai abusivo que a violenta sexualmente. Cada um deles tem um medo específico, e por mais bobo que possa parecer, todos eles contribuem para que a história tenha sentido e se torne tão boa. 


O medo alias é o principal tema tratado na obra, já que Pennywise se alimenta do medo das crianças, assim, o palhaço pode assumir qualquer forma para assustar o grupo, desde uma pessoa leprosa para o garoto que tem pavor em ficar doente, até os pais queimados de Mike. O filme é perfeito em retratar como pode ser pavorante os medos mais simples e puros, como o de palhaços, ou um simples quadro onde a pintura é uma mulher desfigurada. 

Talvez esse seja o ponto primordial do filme e o que divída mais a opinião de quem assistiu, é difícil sentir medo ao ver IT, você sente muito mais aflição pelo que está acontecendo com as crianças do que propriamente com a chance de ter pesadelos a noite em sua casa. Diferente do estilo de terror atual, que abusa dos sustos, cenas na escuridão e o sobrenatural, em IT o pânico é causado por coisas presentes realmente na vida de uma criança, o que torna a história tão cativante. 

O ritmo do filme é muito bom e por muito tempo você esquece do palhaço para presenciar a realidade do grupo, nessa hora temos lições de amizade, confiança e amor. Quando o climax do roteiro se aproxima, você basicamente já sabe o que vai acontecer, a união das crianças vai conseguir vencer Pennywise, e isso não tira sua atenção da tela. 


A obra consegue um ótimo equilíbrio entre as situações do cotidiano das crianças, as cenas mais “assustadoras” e uma série de piadas feitas pelo personagem Richie que deixam claro aquilo que o filme faz de melhor, mostrar que são apenas crianças, e não é preciso um demônio ou algo tão “forte” para causar pânico entre elas, coisas básicas podem assustá-las, assim como a qualquer um. 

Os atores são carismáticos e fazem o público torcer por eles e para que o grupo não sofra tanto, diferente da serie clássica de 1990, aqui não é mostrado a história dos personagens na vida adulta, algo que deve ser mostrado no já anunciado capítulo dois.

Eu recomendo IT – A Coisa para todos, mas deixo claro que o filme talvez possa parecer bobo para algo do gênero terror, mas por trás conta uma história cativante que prende a atenção de todos e mostra o mais puro medo, aquele que pode ser encontrado na nossa realidade, seja com coisas bobas como palhaços, ou até coisas mais sérias como a depressão, esquecimento ou a morte.