CRÍTICA | Planeta dos Macacos: A Guerra (2017) (Sem Spoilers)


É notável que, apesar de se chamar Planeta dos Macacos – A Guerra, este é o filme mais contido da trilogia. O Desenvolvimento dos personagens em meio ao holocausto da guerra, é o que move o longa para uma conclusão perfeita para a série iniciada em 2011.

Andy Serkis vive novamente Cesar, desta vez em confronto direto com o exercito americano, liderado por um coronel impiedoso, interpretado por Woody Harrelson. A figura de Harrelson remete diretamente ao seu personagem em Assassinos por Natureza (1999). Claro que guardadas as devidas proporções na comparação, mas com seu ar sádico, temos ao inicio do filme ele sendo o que a trilogia ainda não havia tido: um vilão central.


Seus atos influenciam diretamente a César, que entra em conflito consigo mesmo. Se no segundo filme o herói dos símios parecia ter sua opinião formada sobre os humanos, aqui ele volta a se questionar se realmente poderá haver paz entra as duas espécies. E se não existem grandes batalhas durante o longa, o roteiro mostra que o holocausto da guerra afeta até os mais sábios.

E se o filme original, lançado lá em 1968, fazia criticas acidas a natureza humana da guerra, esse terceiro filme retoma isso e é muito assertivo. Donald Trump no poder dos EUA tem aberto muitas discussões sobre seus métodos questionáveis, e em certos momentos ficam claras as referencias diretas a elas e ao lado ruim do espirito “patriota” americano (reparem na expressão de César ao ouvir o hino americano sendo tocado para o exercito de soltados).


Devemos levar em consideração também as referencias diretas aos longas originais. O roteiro traz nomes de personagens clássicos e cenários dos filmes anteriores com naturalidade, sem soar como simples “fan-services”. Tudo isso acompanho de um trabalho de efeitos especiais que deixam no passado o visual do Planeta dos Macacos – A Origem (2011), que deixava muito a desejar. 

Michael Giacchino surpreende com uma trilha contida, que acompanha os acontecimentos das cenas sem precisar traduzir os sentimentos que elas devem provocar. E falando em pontualidade, Steve Zahn interpreta um macaco que fica responsável pelo alivio cômico do filme. O humor que o personagem trás se mostra necessário para não nos afundarmos apenas na melancolia, ao mesmo tempo que não nos tira do peso das tragédias.


Fechando o arco do belo e complexo personagem Cesar (figura messiânica, que chega ao ponto de ser literalmente crucificado neste filme), Planeta dos Macacos – A Guerra é um dos melhores exemplares da sétima arte do ano de 2017. Ele entra para a lista de melhores fechamentos para trilogias e faz jus ao que de melhor o universo criado em 68 trouxe para o cinema.