CRÍTICA | Annabelle 2: A Criação do Mal (Com Spoilers)

Por David Zorzin


O filme é bom, não há como negar, mas também, era uma obrigação dos diretores depois do primeiro Annabelle ter sido tão fraco. Agora seguiram uma fórmula mais tradicional, juntar um monte de crianças numa casa no meio do nada nos anos 40, bem simples, mas foi o suficiente pra ser muito melhor que o anterior. 

O título diz “A criação do mal” e quem assiste finalmente entende de onde saiu a boneca. Um artesão que fabrica brinquedos e sua mulher perdem a filha em um atropelamento, o casal (Esther e Samuel Mullins) então decide apelar e começam a pedir pra qualquer entidade ou força do além para que eles consigam ter sua filha (Annabelle Mullins) de volta, a menina aparece, mas na verdade não é a Annabelle, é um demônio tentando roubar a alma dos dois (mas veja só). 

Ai você entende que a boneca não chama Annabelle, e sim a filha do casal, o brinquedo nada mais é do que um objeto onde o espírito demoníaco pediu permissão pra passar férias enquanto se passava pela menina e tentava roubar a alma dos pais. Ou seja, a boneca não tem culpa nenhuma, não tem nada obscuro por trás dela.


Quando no passado o espírito começou a atacar o casal, eles chamam um padre e trancam a boneca num quartinho e assim vivem felizes, até cerca de doze anos depois, ai começa o enredo do filme atual e uma série de perguntas inexplicáveis. 

O casal decide acolher seis crianças orfãs e uma freira para morarem em sua casa, quem é louco o suficiente pra convidar seis crianças e uma freira pra morar numa casa que você sabe que tem um demônio preso em um quarto? 

O engraçado é que a Esther fica trancada no quarto o tempo todo já que não consegue andar, então ela não tem contato com as crianças (ela aparece bem pouco no filme). Aí a pergunta fica ainda mais ridícula, quem é louco o suficiente pra convidar seis crianças e uma freira pra morar numa casa que você sabe que tem um demônio preso em um quarto e sua mulher passa o dia todo na cama?


Fora isso, não me parece tão seguro mandar seis orfãs de 12 a 16 anos numa casa onde um homem de 50 anos vive sozinho no meio do nada com sua esposa que passa o dia trancada no quarto porque não consegue andar.

Sobre as meninas destacam-se Janice e Linda, melhores amigas que são excluídas pelas outras quatro garotas. O filme faz questão de mostrar a amizade forte entre as duas e que uma nunca viveria sem a outra. 

O terror começa quando a Janice começa a ser provocada pelo espírito do demônio preso na boneca e assim ela acaba entrando em um quarto (trancado) que era da filha do casal, detalhe, Janice tem um problema na perna (poliomelite) e não consegue subir ou descer escadas, confesso que quando vi isso no trailer achei que seria muito melhor explorado o fato do demônio tentar pegar uma criança com dificuldade pra andar, mas a deficiência serve muito mais pra dar uma imagem de coitadinha do que criar trechos de terror. 


Grande parte do filme são cenas do espírito assustando as meninas, cenas muito parecidas com Invocação do Mal, sequencias idênticas. Joga a bolinha na escuridão, a bolinha volta, joga de novo, ela volta, na terceira vez, não volta mais OOOOOOOOOOOH. Vira pra trás uma vez, não tem nada, vira de novo, nada, na terceira vez, aparece a boneca em cima da cama OOOOOOOOOOOOOOOOOH. 

Sério, grande parte do filme é muito parecido com Invocação do mal, a ambientação, o clima, os silêncios seguidos de ruídos, os sustos são parecidos, o uso das crianças, mas voltando a Annabelle 2, vamos a outra coisa que é ridícula e forçada na história.

As orfãs começam a reclamar pro dono da casa de coisas estranhas acontecendo, a Janice acaba sendo atirada pelo espírito e todos acham que ela caiu da escada, mas ele acha que tudo são acidentes (LEMBRANDO QUE TEM UM DEMÔNIO NO QUARTO). Até o final do filme nem ele e nem a esposa cogitam a ideia de ser algo relacionado a Annabelle. 


Bom, agora acelerando a história: muitos sustos, muitas cenas bacanas, a Janice é possuída pelo demônio que ela mesma acabou libertando, a menina que era manca começa a correr livremente pela casa, as outras orfãs acham tudo muito estranho, menos o casal que prendeu um demônio na casa a doze anos atrás, pra eles ta tudo tranquilo. 

O desfecho do filme começa quando Linda, a melhor amiga de Janice, conta ao dono da casa que a Janice já havia pego a boneca do quarto, nessa hora o cara tem um brainstorm e tudo começa a fazer sentido, OLHA SÓ, PARECE QUE O DEMONIO PRESO PODE TER RELAÇÃO COM TODOS ACONTECIMENTOS ESTRANHOS QUE AS MENINAS ESTAVAM PASSANDO NÃO É MESMO? 

Uma pena que ele não tem muito tempo pra cair em si, já na próxima cena ele é morto pelo demônio, não demora muito pra mulher dele também ser, nessa hora é correria, é a Janice possuída atrás das orfãs, é gritaria, muitos sustos e que puta atuação da atriz que fez a Janice, que no fim acaba sendo trancada pela freira no mesmo quarto que a boneca estava trancada e todo mundo (menos os donos da casa) sai vivo. 


Acontece mais coisa no fim do filme, mas ai vale a pena assistir pra ver, detalhe que os últimos cinco minutos de filme mostram como o casal Warren conhece a Annabelle. 

O filme vale a pena porque é tão bom quanto Invocação do Mal quando se trata de ambientação, muitas cenas de suspense e muitos sustos, da medo. Pra quem já conhecia a franquia fica a decepção de ser algo muito parecido. A atuação de Anthony LaPaglia que faz o Samuel Mullins é muito ruim, ele não passa emoção, como disse, muito da indiferença quanto aos fatos estranhos acontecendo na casa tem relação a falta de intensidade da atuação.

Tirando alguns pontos forçados, algumas cenas repetidas e a atuação ruim citada, o filme tem uma história aceitável, tem cenas fortes, tem um ritmo legal, bem acelerado, a atriz que faz a Janice (Talitha Bateman) consegue interpretar muito bem o papel, no fim é um terror muito bom comparado ao primeiro Annabelle e a diversos filmes do gênero lançados recentemente mas está longe de ser uma maravilha.