UP - Altas Aventuras (2009): velhice, solidão, e felicidade


A Pixar é um estúdio que alcança êxito na maioria de suas animações. Logo em sua primeira, nos apresentou o universo dos brinquedos de Toy Story (1995), seu maior sucesso até hoje. Em outras oportunidades, mostrou-nos a vida dos insetos, peixes, Super Heróis e no ano de 2009 a vida de um simples senhor de idade que, ao perder a esposa, resolve viver seu sonho de criança.

UP – Altas Aventuras (2009) trata de temas que a principio não se relacionam com uma animação destinada a crianças. Seu personagem principal, Carl Fredricksen, enfrenta uma fase difícil da vida: A velhice, acompanhada da perda de sua esposa, Ellie . O filme começa mostrando como os dois se conheceram ainda crianças e tiveram uma longa vida juntos. Ainda neste meio tempo, houve o desejo de terem um filho, que é ofuscado pela esterilidade de Ellie (um tema delicado, mas mostrado de maneira sutil). 


Com a morte dela, Carl se vê sozinho e prestes a ser levado a um asilo, e a cena que melhor representa isso é quando um construtor quase destrói a caixa de correios com a assinatura de Ellie. Quando Carl briga para guarda-la e acaba aceitando o construtor que é ferido. Sem amenização, o personagem sangra e a reação das pessoas em julgamento a Carl o assusta. Isso não é nada diferente do que muitos idosos vivem diariamente. Por serem considerados velhos demais para terem atitudes próprias, são oprimidos sem compreensão.

Sendo vendedor de Balões, Carl resolve fugir com sua casa os utilizando, em um momento que se tornou um dos mais marcantes da história da Pixar. Ele só não sabia que o jovem Russell estava lá, este que o vai acompanhar durante a história, onde encontram pássaros raros e cachorros falantes. Tudo muito ficcional, mas sem tirar o peso dos momentos dramáticos.


O próprio Russell também serve como parâmetro para esses momentos. O Garoto sofre com a ausência do pai, e sem transformar isso em um melodrama clichê, o filme trabalha a relação dos dois personagens, que encontram na amizade um do outro respostas a esses problemas. Alias, a cena em que Russell diz a Carl sobre sua relação com o pai é precisa, pois não se atem a grandes explicações sobre a situação, e mesmo assim entendemos.

É claro que nem só das tristezas da vida o filme se faz. Essa identificação dos dois torna a de Carl e Russell ao final, muito compreensivel. E quando o próprio Carl compreende isso, ele também descobre que para Ellie, ele foi sua grande aventura. Tanto que o filme não se esquece de deixar claro que ela foi feliz ao lado dele. Afinal, não existe só drama ou comédia em nossa vida. Ela feita de um pouco de tudo e até mesmo uma simples animação pode mostrar isso.


Mesmo que a preferencia seja sempre ao trabalho original, recomendo a versão dublada do filme, que trás Chico Anysio como a voz de Carl. Se existe o preconceito as animações sobre o quão infantilizadas elas são, não podemos dizer isso de filmes como UP. Por trás da simples aventura existem temas de identificação para todos os públicos. Não atoa o estúdio é tão bem sucedido na maioria de seus trabalhos.