Os 25 anos de Batman - O Retorno (1992): O Morcego, a Gata e o Pinguim


Revisitando Batman – O Retorno, que hoje completa 25 anos de seu lançamento no Brasil, fica claro que o filme é uma visão muito particular do universo do Homem Morcego por Tim Burton. O Diretor já havia comandado o primeiro filme de 1989, mas a sua liberdade criativa é posta em pratica muito mais neste segundo filme. É por isso que em matéria de “Universo Tim Burton”, “O Retorno” é muito rico.

Em primeiro lugar, apesar do filme ter o herói como titulo e personagem principal, Burton passa o inicio do filme em um longo período contando a história dos vilões, que diferente dos quadrinhos, tem suas origens e características mudadas. Aqui, temos que entender que tudo é questão de liberdade poética. Afinal, se olharmos com uma visão mais critica, a origem da Mulher Gato torna-se absurda. Ser jogada de um prédio e ser mordida por vários gatos até ressuscitar, não é lá bem o que poderíamos esperar da Celina Kyle dos quadrinhos.


E se já não bastasse, Pinguim se torna uma aberração da natureza, que logo depois do nascimento e desgosto por parte dos pais que não conseguiram conviver com a idéia de ter um filho deformado, é jogado em um lago, onde é encontrado por Pinguins gigantes, que o cria para se tornar um deles. Em comparação com o personagem original, parece até piada, mas como contador de histórias, Tim Burton torna esse absurdo instigante. E além disso: não mede esforços em se superar, pois referencia a origem de Moises com Pinguim (um bebe no cesto...acho que você entendeu, certo?)

Depois de mais de 35 minutos de filme, apesar de fazer uma rápida aparição enfrentando os vilões na cidade, Bruce Wayne finalmente tem sua primeira fala, e ela é de muita representatividade: “Os pais. Tomara que os encontre.”, diz Bruce, quando assiste ao noticiário onde Pinguim supostamente salva o filho do prefeito. O Bruce Wayne de Michael Keaton surge mais solto do que originalmente foi criado nos quadrinhos, mas ainda sim mantem sua síntese, de ainda guardar o trauma da perda de seus pais. Talvez isso faça com que ele tenha certa pena do Pinguim. Pelo menos, até enfrenta-lo. 


Não por acaso essa comparação aos dois personagens surge em um comentário sarcástico do Pinguim, que ao discutir com o herói diz: “Você tem inveja de mim pois eu sou uma aberração de verdade e você usa uma mascara para parecer uma”. Alias, durante o filme, Bruce vem demonstrando varias tentativas de buscar uma normalidade fora da vida de vigilante noturno. Ele realmente se interessa por Celina Kyle, e ao final do filme, tenta faze-la deixar a obscuridade de Mulher Gato. 

E sobre o curto relacionamento que teve com Vicki Vale, Bruce diz que ela “não conseguiu conciliar” com sua rotina de milionário de dia e vigilante a noite. Por mais que existam muitas diferenças do Bruce Wayne que encontramos nos Quadrinhos, muitas características são mantidas, assim como esse fardo de ter o Batman o privando de viver uma vida normal. Em Celina, talvez Bruce pudesse achar uma companheira que partilhasse dessa sua loucura. E a cena do baile de mascaras representa isso, fazendo com que os dois sejam os únicos desmascarados (isso também referenciado em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, 2012).


25 anos de uma produção que faz jus ao cinema autoral de Tim Burton. Talvez não tão fiel aos quadrinhos, mas significativo para o personagem nos cinemas. E como já de costume, Batman continua tendo vários paralelos com seus inimigos, e Burton representa isso muito bem. Na edição 63 do nosso Podcast, desenvolvemos esse e outros temas tratados pelo filme (além dos também aniversariantes de Batman & Robin (1997) e Batman: TDKR, 2012).

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