CRÍTICA | Castlevania - Netflix: 1ª Temporada


Eu não sou nem de longe um entendedor de Castlevania, meu conhecimento da história nunca passou de saber duas coisas: o nome do protagonista e o fato de que eu deveria matar o Drácula. E assim eu joguei Castlevania no Snes, no PS1 e no DS do meu tio, sem finalizar nenhum, mas sempre me divertindo imensamente com o processo.

Eis a minha surpresa quando, em uma de suas Newsletters Warren Ellis anuncia que está escrevendo o roteiro para uma animação desta série de jogos que será produzida pelo Netflix, a plataforma de streaming padrão de muita gente. Bom, eu assisti e depois eu reassisti porque uma temporada de série que dura menos que 3 horas é algo impressionante.

Impressionante nem sempre quer dizer bom, nem quer dizer ruim também.


Este projeto está em "desenvolvimento" desde 2007, quando o famoso autor de quadrinhos entregou seu primeiro rascunho para uma animação baseada em Castlevania III: Dracula's Curse. Contudo, muita coisa pode mudar em 10 anos, tanto na vida de alguém como nos projetos da mesma. Tendo isso em mente, vamos ver no que deu. 

A série começa nos apresentando à Lisa, uma cientista envolta em um mundo religioso que busca se desvencilhar das amarras de sua época e realmente ajudar as pessoas através de remédios e invenções. Para tal ela vai atrás da ajuda do já conhecido Drácula, o vampiro mais famoso que, na série, se encontra recluso dentro de seu castelo e, segundo a cientista, possui conhecimento secreto. Nos primeiros segundos já percebemos que Lisa é diferente dos outros habitantes de sua época, fato também notado pelo vampiro, já que ela não o trata como um monstro, mas sim como alguém cuja humanidade deve ser respeitada e dada de volta.

Infelizmente, eram tempos cruéis, ciência era bruxaria e, como uma bruxa, Lisa é queimada nas fogueiras da Igreja católica, fato que desencadeia a fúria de Drácula através das terras de Wallachia em um banho de sangue e ódio, a punição de um monstro que teve seu último traço de humanidade, sua esposa, tirado de si.


Nesse interim de destruição e desgraça somos apresentados a Trevos Belmont, um membro da reclusa família Belmont, uma famosa linhagem da região que a muito abandonou seu dever hereditário: caçar vampiros e criaturas sobrenaturais. O personagem começa como um bêbado fanfarrão e vai se desenvolvendo conforme a série caminha, adquirindo responsabilidades.

Alguns outros elementos também são importantes para o desenvolvimento da série como o Clã dos Speakers, devotos a tradição oral que vivem como nômades para ajudar aqueles que precisam. Também temos uma forte participação do clero, sendo O Bispo a personagem que melhor representa uma igreja maligna e interesseira que, em nome de Deus, toma atitudes que alimentam seu próprio ego e interesses escusos.

Esse é o cenário, caro leitor, que você encontrará nesta curta jornada. Passando isso, vamos a minha opinião.

A série, apesar de curta, não perde muito de seu desenvolvimento. É fácil entender o que cada personagem quer e os fortes traços de personalidade que os definem, sem uma grande profundidade, mas se afastando também de um nível que trouxesse à tona o desinteresse. A escrita de Warren Ellis (Transmetropolitan, Planetary, The Wild Storm, Normal) vem enxuta nos diálogos, condensando informações importantes e desenvolvimento de personagem em conversas que ficam no intermédio entre o expositivo e a ação necessária. Particularmente, isso não me incomoda, sendo um experimento que o autor tem feito também em alguns de seus quadrinhos.


A animação é viva em cenas de ação, aonde a violência é visceral e escrachada e os movimentos são bem claros e fluidos, apesar da série ser permeada de escuras sombras e cenários um tanto estáticos. Fora das cenas de luta a animação não chega a ser de má qualidade, como podemos ver em algumas animações da DC Comics (to falando de Piada Mortal), porém não contem uma qualidade incrível de encher os olhos. Em suma, a animação serve bem o seu propósito, sendo esta uma série baseada na ação, assim como o jogo que a inspirou.

A trilha sonora não me chamou atenção, diferente do jogo, que tinha músicas extremamente marcantes e viciantes. Talvez está falha seja minha em não capturar alguma referência feita nas trilhas, mesmo assim não me agradou, parece mais God of War que Castlevania.

Por fim, é uma série extremamente divertida que traz temas interessantes de uma maneira rápida e muito legal. Algumas discussões caras ao Ellis podem ser vistas durante os episódios como essas questões envolvendo ciência e a mistificação da ciência. Os personagens são carismáticos e as cenas de luta são boas e violentas. Com uma segunda temporada já confirmada e um personagem que, para mim, foi uma grata surpresa ao ser introduzido no final, podemos esperar uma outra boa dose diversão, assim que o Netflix resolver que é hora.