ANÁLISE | Homem Aranha: De Volta ao Lar (2017)

A Analise contém SPOILERS



“Um filme de Peter Parker”

Essa, que é a frase representada no inicio do filme é um resumo de Homem Aranha: De Volta ao Lar (2017). Um filme que trás o personagem a sua síntese dos quadrinhos do começo ao fim. E quando começa, já representa isso usando o tema clássico do herói na abertura da Marvel Studios.

Se em Homem Aranha 2 (2004), Sam Raimi foi mais afundo em como a vida de herói influencia na vida normal de Peter, em De volta ao lar temos isso mais aprofundado. Toda a ambientação da escola e do relacionamento do personagem com seus colegas é um prato cheio para quem quer se aprofundar no personagem. Finalmente temos um roteirista que sabe representar a adolescência dele (e que provavelmente aprendeu muito vendo Clube dos Cinco e outros filmes do mestre John Hughes, que tem uma pequena homenagem a sua obra na cena em que vemos uma TV passando Curtindo a Vida Adoidado). Já sobre O Espetacular Homem Aranha, lançado em 2012, não podemos dizer o mesmo do Peter aborrecente. 


Tom Roland confere a Peter um carisma nato, já demonstrado em Capitão América: Guerra Civil (2016). A diferença é que desta vez o protagonismo estava a cargo do garoto e ele se sai muito bem. E o já velho de guerra Michael Keaton encara Adrian, o Abutre, com a vilania necessária para o filme. E ao estilo “os fins justificam os meios”, o motivo dele fazer o que faz é mais que justo. Nisso, a principal ameaça que o vilão trás é atrapalhar a vida de Peter, e o apse disso é quando descobrimos que ele é pai de Liz Allen. 

Talvez seja necessária uma certa suspensão se descrença para encarar a história de: “o pai da sua namorada é seu maior inimigo”. Mas quando temos a revelação, tivemos tão poucos indícios disso que somos surpreendidos. (reparem que, quando Adrian, Peter e Liz estão parados no sinal, exatamente quando Adrian diz a frase que serve como uma confirmação de que ele descobriu quem Peter é, o sinal verde é refletido em seu rosto, da mesma maneira que a mascara do vilão). 

E se Peter já havia passado por varias situações que o privaram de viver uma vida normal, essa é a confirmação de que com Liz ele não poderia ter nada. E ótima decisão retirar a cena do beijo dos dois, que foi divulgada nos trailers, mas aqui não está presente. Isso reforça a privação que citei. Sem contar a cena em que, logo depois que Peter acaba de conversar com Adrian e entra na festa, o local é todo desfocado, representando o distanciamento de um momento que deveria ser de felicidade.


Alias, não faltam situações que seriam obvias para o personagem e que não foram representadas em nenhum filme até aqui. Como quando peter está a céu aberto e não tem no que jogar uma teia. Ou quando ele está no topo do monumento de Washington e está com medo da altura. E quando os truques do uniforme começam a se tornarem um “Deus ex machina”, ele é retirado, o que é um alivio, pois todos os gadgets facilitariam demais as resoluções da história.

Felizmente a participação de Tony Stark (Robert Downey JR) é bem modesta, pois jamais confiaríamos em Peter como herói se ele precisasse sempre da ajuda de Stark. A referencia ao quadrinhos, com Peter levantando destroços do galpão é usada não apenas como menção, mas como uma representação de independência do herói. 

A trilha de Michael Giacchino é bem modesta e aqui ele se saiu bem melhor do que sua estreia na Marvel Studios com Doutor Estranho (2016). O mérito mesmo fica para a escolha de outras musicas, como Blitzkrieg Bop do Ramones (não atoa. Afinal, a banda tornou sua versão do tema clássico do herói um ícone).


Se Mulher Maravilha (Crítica Aqui) é um filme que representa muito do que a DC é nos quadrinhos, Homem Aranha representa muito do que a Marvel é, principalmente a essência do dito “amigão da vizinhança” no universo da editora. Esse, sem duvida é o maior mérito que esse filme tem. E o maior presente aos fãs do herói.

PS. Já estava mais do que na hora que uma cena pós créditos fizesse uma auto sátira ao conceito. Valeu capitão!