Tropa de Elite (2007): os 10 anos e os ecos de sua sequencia.


Tropa de Elite (2007) é sem duvida um dos maiores exemplares do cinema brasileiro, e completa 10 anos. Na época o filme foi alvo de duras criticas pela forma que representava a violência repressiva contra traficantes, desferidas pelo grupo do capitão do Bope, Roberto Nascimento (Wagner Moura). Mas a verdade é que tanto ele, quanto sua sequencia, vão muito mais que os bordões que caíram no gosto do publico, sendo os dois filmes quase que um reflexo um do outro.


O personagem Nascimento é um exemplo disso. O que mais nele conquistou o publico foi sua natureza incorruptível. Seus métodos, questionáveis por muitos, foram aplaudidos pelos demais (aplaudidos literalmente no segundo filme). Isso se deve muito pela narração em off, presente nos dois, que nos permite entender as certezas e questionamentos do personagem, que em cena, pode estar cometendo atos de violência terríveis, mas que são justificados na narração.

Mas não se engane, pois nelas Nascimento admite seus “desvios de caráter” para chegar aos objetivos, como quando o personagem Neto (Caio Junqueira) é morto e Mathias (André Ramiro) busca vingança. “A morte do Neto foi uma tragédia pro Mathias. Eles eram amigos de infância. E eu percebi que podia usar aquele sentimento. Eu ainda tinha minha missão a cumprir”. Apesar de ser para beneficio próprio, está longe de ser por ganancia. A relação abalada de nascimento com a famlia é um peso pro personagem, e em ambos os filmes um dos principais objetivos dele é reparar isso.


Alias, em Tropa 1 o Bope é representado com postura imponente, assim como Nascimento. Não é atoa que o publico os tomou como “heróis”, habilidosos, muitas vezes fazendo papeis de juízes na favela. Já em Tropa 2, apesar de maior, o Bope já não é mais a solução para todas as corrupções da história, e Nascimento já demonstra-se cansado de lutar sem resultado. Afinal, o personagem está mais velho, e Moura representa isso com andar mais curvo e fala mais abalada.

Já falando sobre os contrapontos de um filme a outro, não podemos esquecer dos “inimigos” do filme. O titulo dado ao segundo “O Inimigo agora é outro” mostra que o filme surge como uma resposta ao primeiro. A continuação amplia as discussões sobre o que é o sistema ser “foda” como diz Nascimento, e isso é representado no visual, que no primeiro tem fotografia escura, sombria (“a nossa farda não é azul parceiro, é preta) e no segundo é muito mais clara, que sugere uma exposição das verdades da corrupção, que vão além de um simples jogo de milicianos.


E se no enterro do Neto no primeiro filme a bandeira do Brasil sobre o caixão é coberta por Nascimento com a do Bope, no segundo temos o oposto, só que no caixão do Mathias. Essa rima visual talvez seja a maior representação do reflexo que um filme é para o outro. E sem esquecer: José Padilha merece muitos créditos a isso. As datas das histórias são 1997 e 2010 respectivamente, mas os temas tradados continuam muito atuais.

Sendo assim, o aniversariante Tropa de Elite 1 e sua sequencia permaneceram, como já dito, na história do cinema do nosso pais. E disso, não resta duvidas, parceiro!