Piratas do Caribe: A Maldição do Perola Negra (2003) REVISITADO!


O que Guardiões da Galaxia é hoje pode ser equiparado ao que Piratas do Caribe um dia foi. Ambos tem personagens cativantes e assumem o humor como elemento fundamental. A Franquia protagonizada por Jack Sparrow (Johnny Depp) talvez não teve tanta sorte em manter a qualidade em suas sequencias quanto Guardiões, mas trouxe o universo fantástico (e aqui bem fantasioso) dos piratas de volta ao cinema com grande estilo. 


O Próprio Sparrow pode ser usado como um grande exemplo disso. Depp criou um personagem que se tornou o rosto da franquia, mesmo não sendo o personagem central. Levando em consideração os acontecimentos do enredo, Will (Orlando Bloom) e Elizabeth (Keira Knightley) até podem ser os novatos da história, mas tem grande importância nela (Will, filho de Bill Turner e Elizabeth, que faz com que ele vá para aventura ao seu resgate). Jack está ali apenas como ligação entre os acontecimentos, e sua personalidade ganha destaque.

Certa vez Stanley Kubrick disse que ao adaptar do livro de Dr. Fantastico, percebeu que jamais poderia contar a história de maneira séria, pois de tão absurda o publico não a aceitaria, a não ser que assumisse escrachada. O roteiro de A Maldição do Perola Negra é o mesmo caso. Se o tom fosse contrário ao humor, poderia ser tão convincente quando a série de filmes de Resident Evil. Mas ele vai além disso: entende que mesmo tendo que rir de si, ainda precisava ser crível. É ai que o visual sombrio do navio Perola Negra impressiona pelos tons fúnebres e as mortes ao longo do tipo não são nada glamourizadas (já não podemos dizer o mesmo dos personagens imortais, claro)


Nada disso seria possível sem o maravilhoso trabalho de direção artística e figurino. Apesar de toda a fantasia da história, todo a reprodução da época mantem toda verosímil, e nisso o cenário e design, principalmente dos navios, foi importantíssimo. Só espero que não soe covardia de minha parte falar sobre os efeitos visuais do filme, ótimos na época, mas que hoje já não impressionam. 

Em contrapartida, são utilizados de maneira contida (o que já não podemos dizer das continuações) e como exemplo, a cena em que a tripulação é relevada em sua forma fantasma ainda merece reconhecimento. Sem contar que é acompanhada pela ótima trilha de Klaus Badelt e Hans Zimmer (Zimmer que assume totalmente a trilha no segundo filme, minha preferida inclusive).


Triste ver como suas qualidades foram esquecidas com o tempo. A reputação de Depp hoje em dia nada ajuda para a sobrevivência da franquia e a verdade é que sua formula já está á muito tempo esgotada. Felizmente, seus personagens cativantes e seu universo muito bem ambientado continuam divertindo quando revisitados. Que justiça seja feita e que seus méritos não seja esquecidos.