Homem Aranha 3 (2007): Os 10 anos de uma conclusão duvidosa.

Homem Aranha (2002) pode ter feito aniversário de 15 anos, mas nem por isso poderiamos esquecer de outro aniversáriante: Homem Aranha 3 (2007). Ele está longe de ser um bom exemplo de como fazer uma adaptação de quadrinhos, mas não deve ser ignorado.


Peter Parker (Tobey Maguire) parece ter encontrado o equilíbrio perfeito entre sua vida normal e ser o Homem Aranha. Mas as coisas fogem de controle quando ele começa confundir alto confiança com arrogancia, passando a neglicenciar Mary Jane (Kirsten Dunst). Depois de descobrir sua identidade secreta, Harry Osborn (James Franco), passa a persegui-lo, mas em um confronto, perde a memória e o passa a ve-lo como amigo novamente. Alias, falando em passado, a policia descobre que o ladrão Flint Marko é o verdadeiro assassino do Tio Ben, e em meio ao sentimento de vingança de Peter, uma gosma alienigena preta (que cai do espaço sem motivo aparente) se une ao uniforme do herói, o tornando mais agressivo e logo depois, emo.

Como dito pelo diretor Sam Raimi em uma de suas declarações pós-lançamento do filme, a ideia inicial para o roteiro não era essa. O Homem Areia é quem deveria ser o vilão principal, mas foi deixado de lado, por exigência do produtor Avi Arad. Os fãs clamavam por Venom como vilão, e na insistência, Raimi acabou sedendo. Um dos roteiristas, Alvin Sargent, até chegou a cogitar a dividir o filme em duas partes, mas acabou desistindo da idéia. E você que já assistiu ao filme sabe muito bem que essas várias histórias amarradas em um filme só o tornaram uma salada de frutas.


Dominado pelo simbionte, Peter passa a rebolar nas ruas de Nova York com seu novo corte de cabelo (dai o "Emo") e lapis nos olhos. Se os fãs estavam ansiosos para ver uma boa representação do que o simbionte foi nos quadrinhos, levaram um grande banho de aguá fria. Raimi representou ele de maneira ridícula por indisposição em fazer o filme como havia sido imposto a ele, ou pelo menos é a desculpa que ele dá.

Alias, o tempo de tela que o Venom tem no filme faz juz ao rebolado de Peter. Venom surge como uma obra do acaso quando Eddie Brock (Topher Grace) coincidentemente vai parar na mesma Igreja que Peter está a se livrar do simbionte. Não que Grace faça um trabalho ruim. Ele encara bem ser um espelho de Peter, uma versão mais pervertida. Ambos os personagens são iguais em profissão e interesses românticos. A Idéia de Raimi também era criticar os métodos abusivos dos Paparazzi com celebridades, mas eu meio a tanta coisa, houve pouca aprofundação disso tudo. Tao pouco para a Gwen Stacy de Bryce Dallas Howard, também uma exigência de Avi Arad.


Já reparou no arco do Homem Areia como vilão? Ele foge da prisão para voltar a roubar e conseguir dinheiro para o tratamento da filha doente. Só a ideia de dizer que ele foi o verdadeiro assassino do Tio Ben já seria absurda, mas o pior é ver que isso não leva a praticamente nada. Ele termina o filme da mesma maneira que começou: foragido e buscando recursos para sua filha. O Perdão de Peter talvez seja o mais próximo de um desfecho, mas como já disse, a desculpa dele ser o verdadeiro assassino é tão fraca que soa como uma daquelas tentativas de criar uma história que dão errado. É claro que o filme todo não deixa de ser, mas essa é bem pior, pois mexe com algo do primeiro filme que já estava morto e enterrado (eu juro que o duplo sentido foi sem querer!)

Pelo menos podemos tirar disso a ótima cena a seguir:



Já o desfecho de Harry é bem problemático. Acredito que se mais aprofundado, outras ideias poderiam ser melhor desenvolvidas do que o mordomo da mansão explicar toda a verdade pra ele. Se tivemos algum proveito disso foi a cena de despedida dele.


Agora, o Climax do filme deixa muito a desejar com toda a trilogia. Já estavamos acostumados a terminar o filme com o herói triunfalmente saltando pelos prédios da grandiosa e ensolarada Nova York de Raimi, ressaltando o heroismo dele. Já aqui, a reconciliação de Peter e Mary Jane não tem a mesma força, apesar de que um novo filme já estava confirmado.

Ainda assim, um sucesso!


Paralelo a qualidade, o filme recebeu uma bilheteria mundial tão absurda que superou seus antecessores, tornando-se o terceiro filme mais bem sucedido financeiramente da Marvel depois de Os Vingadores e Homem de Ferro 3 e segundo filme da Sony, atrás de 007 Operação Skyfall (2012). Aqui no Brasil foi o filme vai visto no ano de 2007.

Homem Aranha 4: O filme que nunca aconteceu.


Com tanta bilheteria, uma continuação já estava praticamente certa. O problema é que novas diferenças criativas entre os estúdios e Raimi aconteceram, e desta vez o diretor não cedeu. Isso foi anunciado pela própria Sony. Boatos apontaram que o roteiro teria Gata Negra, que seria interpretada por Anne Hathaway (que curiosamente se tornou a Mulher-Gato depois) e Abutre, que teve Ben Kinsley e John Malkovich cotados. Finalmente justiça seria feita, pois Dr. Curt Connors finalmente tornaria-se o Lagarto, com Dylan Baker retornando ao papel.

Carnificina tambem estava cotado, fazendo relação com o titulo Homem Aranha 4 e quatro vilões. Boatos também apontam que teríamos uma quinta e sexta parte da saga, mas Raimi afirmou que apenas o quarto estava em produção. Se Homem Aranha 3 já foi uma bagunça com três vilões, imagine com quatro?! Talvez tenhamos nos livrado de um filme pior, mas que fica uma curiosidade em saber como seria, fica.

Conclusão


Por incrível que pareça, apesar de reconhecer todos esses problemas do filme, revisita-lo depois de um longo tempo foi divertido. Isso por que, alem de ter apenas uns 10 anos de idade na época, eu vi esse filme a exaustão e reencontrar esse velho amigo, foi interessante, apesar de constrangedor. Assistindo a tantas trapalhadas de roteiro me manteve com um sorriso sadico no rosto. Talvez encarando tudo com sarcasmo o filme fique melhor. ;) Triste fim para trilogia.