Avatar (2009): O filme sobreviveu ao tempo?


Oito anos se passaram desde o lançamento de Avatar (2009), ultimo filme lançado de James Cameron (também responsável por Exterminador 1 e 2 e Titanic), e com certeza muita coisa mudou. O Filme foi uma revolução em efeitos visuais e na utilização do 3D, visto que o diretor ficou mais de 15 anos na pré-produção do filme, desenvolvendo ideias e buscando recursos. O Resultado foi alcançado, e não atoa o filme é a maior bilheteria da história do cinema. Mas ele sobreviveu ao tempo?

Me espanta perceber que muitos rejeitam o filme hoje em dia. A história do rapaz que se apaixona por uma nativa e muda seus princípios já foi vista diversas vezes, mas o foco não é só esse. Se em Titanic Cameron focava-se no romance, aqui o universo do planeta Pandora é o verdadeiro personagem principal. Durante muito tempo, o personagem Jake Sully tem a missão de aprender sobre aquele planeta e sobre a ligação que existe entre todos os servem que ali habita. Nisso, somos levados a uma explosão efeitos visuais, que apesar de algumas ressalvas, ainda sobrevive ao tempo.


A medida que nos encontramos acompanhando a jornada de Jake em Pandora, é um choque a cada vez de retornamos para o ambiente dos humanos. A explosão visual é tão poderosa que serve também para entrarmos na percepção do personagem, que sempre que retorna a seu corpo humano, sente a perda da liberdade que ganhou. Aqui os efeitos trabalham em função da história e ressalta o remoso que Jake passa a sentir em ter que trair os nativos. Sam Worthington com certeza não é um ótimo exemplo de bom ator, mas é levado pelo ritmo do filme (sem contar que grande parte do filme ele está sobre efeitos...mas enfim).

Curioso é ver Stephen Lang como Coronel Quaritch, que em um filme típico de brucutus de ação seria a figura escrachada e heroica que aplaudiríamos, aqui surge como um vilão impiedoso. Suas frases de efeito soam tão absurdas e preconceituosas quanto as que possivelmente os português falavam sobre os índios aqui das terras tupiniquins. Alias, o filme todo tem inspiração na colonização do Brasil, nos movimentos hipies dos anos 60 (e em Dança com Lobos com Smurfs, segundo o South Park)


Interessante ver também alguns ecos da filmografia de Cameron como diretor. O robô utilizado pelo Coronel Quaritch na sequencia final, saiu de Aliens – O Resgate (1986). E falando nas qualidades de Cameron, cenas de ação nas mãos dele são absurdas, pois nunca ficamos sem entender o que se passa (revejam Exterminador 2 e Aliens). Fica claro que a intenção dele é sempre criar um espetáculo aos espectadores. Não é atoa que o clímax é grandioso e com cenas angustiantes.


Talvez a mensagem humanitária e ecológica do filme soe muito pretenciosa para a maioria, por isso o filme tenha sido rejeitado com o tempo. Mas considerando suas qualidades visuais e narrativas, como cinema, Avatar colabora nisso. E nesse espetáculo que James Cameron sabe criar muito bem, ele merece aplausos. Ou pelo menos a benção da deusa Eywa.