Aquele Demolidor, que não é o da Netflix!

Alguns filmes, de tão ruins, tornam-se divertidos em meio a tantos absurdos que cometem. É claro que nem todos partilham deste pensamento, mas fala a verdade: todo mundo tem um Street Fighter – A Ultima Batalha (1994, meu filme ruim favorito) pra chamar de seu. Recentemente estava a ver Homem Aranha 3 (2007), que ficou lembrado como o filme do “aranha emo”. Neste conceito de filme ruim divertido, ele se encaixou para mim (tanto que escrevi sobre os 10 anos do filme aqui no site). Agora, já não posso dizer o mesmo de Ben Affleck e seu Demolidor – O Homem Sem Medo (2003).


O pobre Affleck, fã do Batman, sonhava em interpretar o personagem nos cinemas. Eis que seu amigo na época, Kevin Smith (que já havia o dirigido em Procura-se Amy, 1997) o convidou para viver Demolidor na adaptação do herói, com a promessa de que isso poderia ajuda-lo a um dia chegar no Batman. Apesar de Affleck ser o Homem Morcego hoje em dia, ao revisitar o filme, fica a certeza de que ele não ajudou em nada.

Partilhando do mesmo senso de respeito ao publico do que Justiceiro (2004), Demolidor comete absurdos como mostrar uma cena de luta entre o herói e Elektra (Jennifer Garner) em meio a um parque de diversões. Parece até um analogia, pois o filme soa quase que uma brincadeira de criança. Mas a forma que ele mostra passagens como a história do pai de Matt Murdock, dá a entender que ele se levava a sério. Algo que é muito mais difícil de ser aceito, pois quando assistimos a Batman & Robin (1997), sabemos que os absurdos são propositais e pelo menos se justificam.


Se levar a sério não é o suficiente, se você não consegue contar a história ao publico. Como Matt se tornou especialista em artes marciais, por exemplo, nunca é aprofundado. Se a idéia era resumir a origem do personagem, faltou passar o marca texto em cima dessa parte da história. É claro que introduzir Stick ao filme poderia desvia-la, mas faltou uma explicação mais consistente do que: “Sou cego e por isso meus outros sentidos são mais fortes. Isso é obvio pra mim, então vai ser obvio pra você também!”. Sem contar que nada justifica os saltos absurdos que o ele faz durante suas rondas noturnas. Nos quadrinhos ele tinha muitas habilidades, mas calma lá!

E a ação do filme com certeza não é seu forte. A primeira aparição do herói, em uma luta no bar, é confusa e pouco entendemos o que está acontecendo. Sem contar momentos antes, onde Matt diz no meio do tribunal “que a justiça seja feita agora, pois se não, será feita depois”, nesse que é só um exemplo dos diálogos expositivos do filme (não é uma estratégia inteligente para um advogado sugerir uma futura agressão)


Mas Justiça seja feita: Michael Clarck Durcan (deixou saudades) foi uma ótima escolha para Rei de Crime. Ele faz parte da pequena lista de acertos do filme, junto com Mercenário de Colin Farrell, que demonstra se divertir com o personagem. Palmas para a fotografia de Ericson Core, sombria mas só até onde é necessário. Agora, já não podemos dizer o mesmo sobre o departamente de efeitos visuais, que na época já incomodavam por usar quase que 70% das cenas do herói em CGI, e que hoje se tornaram piores.

Demolidor permanece na mesma escala de qualidade que sempre esteve nesses últimos 14 anos. Para alguns, tenho certeza que piorou, então não o indico para ser revisitado. No mais, fica a dica: Se for assistir a algum filme do Demolidor, que seja o do Stallone. Esse você não se arrepende!