A indomável filmografia de Martin Scorsese!


Sinto-me realizado em ser grande fã do diretor Martin Scorsese. Conhecido por Taxi Driver (1976), Touro Indomável (1980) e Os Bons Companheiros (1990), Scorsese é muitas vezes confundido com um diretor de filmes sobre violência. Talvez essa afirmação seja correta se considerarmos que seus filmes trazem a violência como um dos assuntos principais, mas a intenção do diretor é muito mais mostrar o resultado dela para seus personagens, do que exalta-la. E sua principal façanha é conseguir dirigir filmes extremamente diferentes, mas com muito da personalidade dele como diretor.

Um grande exemplo disso é Silence (2016), seu filme mais recente. É um filme pesado, com um assunto muito delicado, já abordado por Scorsese em A Ultima Tentação de Cristo (1988), o cristianismo. De formação católica, o diretor não recua em expor a influencia da religião em seus filmes, as vezes usando como assunto principal, esses que citei. E convenhamos: Taxi Driver (1976) é um dos filmes que mais se aprofunda na solidão de uma pessoa. Afinal, estamos acompanhando a vida de uma figura trágica, incapaz de entender que em um encontro, não se deve levar uma garota ao cinema pornô. E na tentativa de mudar a situação vergonhosa da cidade de Nova York, Travis (Robert DeNiro) entra em uma tentativa de purificação de uma jovem prostituta interpretada por Jodie Foster.


Em Silence e Taxi Driver temos minuciosidade. Já em O Lobo de Wall Street (2013) ele demonstrava uma energia quase que anárquica, com direito a um plano onde pessoas em uma festa são “banhadas” por cocaína. Alias, a maior polemica de “Lobo” é atrair o publico para a loucura do personagem principal. Muitos consideram que Scorsese tenha se perdido durante a direção, mas planos como a reação assustada da filha do personagem Jordan Belford (Leonardo Dicaprio) durante a briga dos pais, mostram que apesar de se divertir com as situações bizarras vividas pelos seus personagens, o diretor tem consciência do resultado delas, e que aquela criança possivelmente pode ter tido problemas futuros.

E diversão é algo que ele admite usar na maioria de seus filmes. Os Bons Companheiros, por exemplo, tem cenas hilárias, principalmente com o pavio curto de Tommy DeVito (Joe Pesci). Em Os Infiltrados (2006), com a marra do policial vivido Mark Wahlberg, e até a vilania de Frank Costello (Jack Nicholson). Alias, o próprio “Lobo” se comporta em grande parte como uma comédia. Agora, em Depois de Horas (1985), temos esse gênero assumida, mas com um porem: é um filme agoniante. Afinal, voltar para a casa parece simples, mas para o personagem de Paul Hackett (Griffin Dunne), se torna uma tarefa quase que impossível.




São quase 50 anos de carreira e sempre grandes surpresas. A Filmografia de Scorsese é muito variada, ensina muito sobre cinema até hoje (diferente dos filmes Spielberg, que passaram a fazer o contrário) e transmite um sentimento importantíssimo: paixão. Scorsese já mostrou muita influencia de outros diretores, como Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock. Alem de ser um dos maiores diretores, ele também se mostra grande fã dos já consagrados, já tendo aparecido em vários documentários e dando declarações sobre a influencia deles em sua filmografia. A paixão que ele demonstra é de fazer cinema por ama-lo, e ao assistir um filme dele entendemos isso. Afinal, não é atoa que a primeira frase do meu artigo é "Sinto-me realizado em ser grande fã do diretor Martin Scorsese". Eu sinto mesmo!


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