CRÍTICA | Power Rangers (2017) - SEM SPOILERS


Data de lançamento: 24 de março de 2017 (Brasil)
Direção: Dean Israelite
Música composta por: Brian Tyler
Produção: Haim Saban
Roteiro: John Gatins
Elenco: Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler, Ludi Lin, Becky G, Elizabeth Banks, Bryan Cranston e Bill Hader

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Quando a produção de um novo filme de Power Rangers foi divulgada, um dos principais chamativos era a ideia de inspiração no clássico e John Hughes, Clube dos Cinco (1985). A quem não se recorda, Clube dos Cinco conta a história de 5 adolescentes que são obrigados a ficar um sábado no colégio onde estudam, como forma de detenção. Cada adolescente é um esteriótipo, e durante sua relação naquela manhã, eles vão aprendendo que, diferente do que achavam, tem muitas semelhanças. O Filme se tornou um clássico adolescente, pela sua discussão existencial da juventude e a critica aos rótulos que são impostos aos jovens.


Power Rangers utiliza de tudo isso para a base da história. A forma como os personagens se conhecem, a relação e a conclusão do desenvolvimento deles é muito inspirada por "Clube" (em alguns momentos, soa quase como uma xerox). No Primeiro ato do filme, funciona muito bem. Ele é agil, utiliza muito bem o humor, e consegue conciliar com o drama. Quando os rangers se conhecem, a interação entre eles é ótima, o que nos anima, porque um filme depende muito do elenco, e se o filme tem como base um grupo, esse grupo tem a obrigação de ser carismático. E de fato é!

Mas a partir do segundo ato, tudo o que parecia um desenvolvimento de personagens que não se prolongaria, começou a ficar arrastado. As ideias começaram a se repetir, e por mais que sejam tratadas muitas questões interessantes, faltavam o principal: Os Power Rangers! Esse foi o principal problema do Quarteto Fantástico de 2015. Um filme que queria desenvolver os heróis como seres humanos, se prolonga, e quando lembra que deve trazer os heróis em ação, só restam uns 20 minutos para o termino do filme. Felizmente, Power Rangers se sai melhor do que Quarteto em termos de qualidade \o/ (alias, isso me lembra minha revolta com Quarteto...)


Mas não engane-se! Apesar desse grande defeito, o filme é bem respeitoso com a série original. E se sai melhor que ela em vários pontos. Com todo respeito ao time original, mas a serie pouco desenvolvia personalidade dos heróis. Até tentava, mas bem pouco, pois o material de cenas não dava espaço. Aqui no filme nos conectamos mais aos rangers. Enxergamos mais personalidade a eles. E até Zordon, que na série original era o modelo de mentor bondoso, aqui demonstra um certo egoismo em determinado momento do filme. Visualmente, ele impressiona. Torna-se uma ótima adaptação do visual original.

Efeitos visuais decepcionam muito com os Zords. O visual dos Rangers, Alpha 5, Rita e Goldar funcionam bem melhor em tela do que nas imagens de divulgação, mas os Robôs e Bonecos de massa soam confusos. Para variar, o pouco tempo de telas deles não colabora. E se você fã esperava o "Go Go Power Rangers" tocando ao fundo, ele aparece por segundos, e gratuitamente. Totalmente sem sintonia com o filme, a versão da musica que foi utilizada no primeiro filme de 1995, aparece apenas para constar. Desnecessauro... (trocadilho!) Já o restante da trilha é condizente!


O Engraçado é que na série Mighty Morphin, como as cenas de ação eram da série de Super Sentai, Zyuranger, os roteiristas eram obrigados a criar histórias que fizessem ligação para as cenas de luta, sem muito espaço para criatividade e desenvolvimento dos personagens. Já aqui no filme, eles consertam isso, desenvolvem os personagens, acertam no humor (principalmente no <3 primeiro ato), mas esquecem dos Power Rangers em ação! 

Fica claro que a os roteiristas e diretor se excederam mais do que deviam. Mas o filme está longe de ser ruim. É divertido em muitos momentos e nos entrega um ótimo time de amigos. Só faltou serem um pouco mais de Power Rangers.