A Guerra das Comidas

Eu acho fascinante o fato desse filme ter levado tantos anos para ser lançado. É realmente admirável ver o quanto Lawrence Kasanoff lutou para que o seu "Toy Story com mascotes de produtos alimentícios licenciados" visse a luz do dia. E é muito interessante ver o quanto algo pode chegar ao limite da dísgraça como esse filme chegou.

Nossa estórinha começa quando uma estranha marca "X" chega às prateleira do supermercado "Marketropolis", um lugar onde após o fechamento do estabelecimento à noite, se transformar numa cidade vivida por mascotes de produtos de marketing (tais como... Bem, eu realmente não conheço nenhum). O nosso herói, Dex Dogtective (voz de Charlie Sheen, de... Bem, vocês o conhecem), começa a suspeitar dessa chegada da marca misteriosa, ainda mais com os constantes sumiços de outras marcas e das insinuações sexuais com ele, da personagem que veio junto dela (a marca): Lady X (voz de Eva Longoria, de "Desperate Housewives"). 

Ao lado de seu parceiro - e "alívio cômico" do filme -, Daredevil Dan (Wayne Brady, de "How I Met Your Mother"), um esquilo de chocolate, Dex vai a fundo nessa conspiração da X, que visa dominar toda a cidade das marcas, e ainda encontrar sua noiva, a gata Sunshine Goodness (Hillary Duff, de "A Nova Cinderela"), que repentinamente sumiu.

O filme foi dirigido, produzido, escrito, IDEALIZADO por Lawrence Kasanoff -que inclusive dubla até um personagem no filme, a fuinha-, e foi lançado em 2012-2013. Porém, todo esse conceito de "Foodfight!" foi idealizado ainda em 1999, onde Kasanoff, ao lado de um funcionário da Threshold Entertainment (empresa do próprio Kasanoff, com títulos como "Lego: As Aventuras de Clutch Powers" e "Bionicle: A Lenda Renasce", ambos propriedades intelectuais da Lego), Joshua Wexler, conseguiram 25 milhões de investimento conjunto para esse projeto com a própria Threshold e a sociedade de investimento coreana Natural Image.

Em seus pensamentos: -"Matem-me, por favor"
Kasanoff e Wexler já haviam haviam trabalhando em conjuto antes, na verdade, já que ambos já estiveram envolvidos em produções de outras mídias de "Mortal Kombat": as animações "Mortal Kombat: Defenders of the Earth" e "Mortal Kombat: The Journey Begins", e os 2 filmes live-action, além das animações da Lego que mencionei acima, e a versão do "Beowulf" com Christopher Lambert!
(Kasanoff também participou da produção de filmes de James Cameron, como "True Lies", já que ele foi co-fundador da Lightstorm Entertainment, produtora do próprio Cameron).

O filme foi criado e produzido pelo departamento de efeitos digitais da Threshold, localizada na Califórnia.
E então houve o fatídico incidente envolvendo o roubo dos discos rígidos do filme (ainda inacabados, por sinal); Kasanoff informou que isso no final de 2002/início de 2003, chamando o ato de "espionagem industrial". De minha humilde parte, eu chamaria isso de um ato de justiça.

Originalmente, o filme contaria um uso exagerado de "squash e stretch" (um dos 12 princípios básicos da animação) para se assemelhar ao estilo "anárquico" dos Looney Tunes, por exemplo. Mas como a produção recomeçou em 2004, Kasanoff decidiu mudar para um estilo mais centrado na captura de movimentos.
Resultado: Kasanoff e os animadores "falavam duas línguas diferentes".

(O estilo "pastelão" dos Looney Tunes pode até ser visto em momentos do filme, como no inicio, na cena no "CopaBanana", onde todos os personagens saem de uma vez só)

O Bebê de Rosemary
Lions Gate Entertainment (a mesma distribuidora da série "Jogos Vorazes" se meteu nessa), estabeleceu um acordo de distribuição e a empresa de financiamento, a StoryArk, representado investidores, deram 20 milhões em financiamento para a Threshold em 2005 + as celebridades dubladoras e os merchandising.

A data de lançamento para 2005 acabou sendo adiada, tendo sido criado outro acordo de distribuição para 2007, que novamente não deu em nada.
Claro que os investidores ficaram impaciente; a suposição de que a produtora deu calote era grande.
Finalmente, em 2011, o filme foi leiloado por uns 2,5 milhões. Os investidores da StoryArk tinham, em última análise, invocado uma cláusula em seu contrato que permitiu que o Fundo de Seguro de uma companhia de bombeiros (!), que tinha segurado "Foodfight!", para completar e lançar o filme como forma barata e o mais rápida possível.
A companhia de seguros recebeu os direitos autorais do filme em 2012, e em junho do mesmo ano, "Foodfight!" recebeu um lançamento limitadíssimo no Reino Unido, arrecadando cerca de $20.000 das vendas de bilhetes em sua semana de estréia.
4 meses depois, já estava nas prateleiras de DVDs na Europa, e lançado direto-em-DVD nos países restantes no ano seguinte.


Não é regra ("Mad Max: Fury Road", e até "Chatô - O Rei do Brasil" (aparentemente), que o digam), mas quando um filme está em um "inferno de desenvolvimento", como chamam, a chance de sair uma m*rda, é grande.
Não deu outra: não só a crítica, como o público em geral, não gostou do filme. Achou a animação grotesca (nossa, parece até aquelas animações de TV do final dos anos 90/começo de 2000), e as piadas de duplo sentido, paralelos com o Nazismo e insinuações sexuais de mal gosto para um filme infantil.

"É um filme infantil, assista com o ponto de vista de uma criança."
Então... Acho que nem eu, com meus tenros 5-9 anos de idade, teria gostado DISSO. Posso até ter um gosto duvidoso em relação a tosqueiras, então teria assistido ISSO mais de uma vez, mas não por ser um filme interessante... Mas por ser algo inimaginável. É sério. Olha este personagem como exemplo:
Ele é o Sr. Clipboard, dublado por ninguém menos que o Doutor Brown (ou Professor Black), Christopher Lloyd! Tem até uma explicação do porquê desse jeito mongoloide dele, mas isso não tira o fato dele ser, talvez, a coisa mais insanamente grotesca desse filme! Olhem o olhar psicopata ála Grendel dele.
Como eu disse acima, eu teria assistido esse filme mais de uma vez por achar toda essa bizarrice inacreditavelmente ruim. Agora, já mais velho, eu realmente fiz isso: não parei de assistir várias vezes (masoquismo, eu sei) essa 1ª aparição do sr. Clipboard de tão "escrota" que é. Agora não posso dizer o mesmo do filme; assistir uma vez já é uma batalha, imagine uma segunda.

Este é "Foodfight!", um filme com uma animação estranha, com uma estranha movimentação de câmera constante como se fosse uma das cutscenes de "Mortal Kombat 4", e considerado um dos, se não, o pior filme de animação de todos os tempos (meio sensacionalista esse final, né?).

Abaixo, um vídeo com as melhores (?!) cenas do filme:

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Alguém