Guerra Mundial Z

Crítica
Marc Foster é um diretor sempre carregado de boas intenções. Mas em 100 anos de cinema, já conseguimos coletar um exemplo ou outro que provem que intenção não significa absolutamente nada. Sim, frio desse jeito. 

E nem estou falando isso no sentido de execução (algo que Foster também é falho) mas também em desenvolvimento (como em Caçador de Pipas, um filme que queria mostrar o impacto negativo do excesso de religião em uma sociedade, acaba se tornando algo absolutamente simplista e caricato, terminando como propaganda americana no sentido mais imbecil e preconceituoso da coisa). 

Guerra Mundial Z está longe de ser um Caçador de Pipas. Ou mesmo ruim. Funciona como filme de zumbi e Foster mostrou que com certeza é mais habilidoso com suspense do que com drama. Consegue mascarar bem o roteiro esquemático e realmente ficamos imersos na experiência (que, como espetáculo, é impecável). 
Os problemas estão logo nas suas pretensões. A intenção era boa (retratar o mundo com falta de recursos, a centralização de riquezas e chances), mas as metáforas, ainda que pedestres, são deslocadas, tornando difícil entender exatamente em que posição o filme está.

Ainda que com a obviedade e cafonices (o discurso final em voice-over... será que não vi isso antes???) o diretor consegue se segurar, dando mais espaço para sua obra como filme de zumbi, algo pé no chão e satisfatório. 

Afinal, ele sabe que está longe de ser um Romero.